"Aiuruoca.
Onde fica?
Não tinha ouvido falar, até então. Esse nome sugere que tenha origens indígenas. Imagino que seja um lugarzinho tranquilo. Terra batida. As pessoas todas se conhecem e dão "bons dias" bem cedinho, assim, com um sorriso meio tímido, mas desejoso de que o
dia seja, realmente, bom. Não olham direto nos nossos olhos, não por que sejam falsos os seus pensamentos, ou por medo, mas por timidez e respeito à nossa condição de alienígenas. Os homens tiram o chapéu para fazer o cumprimento. As casas talvez sejam pintadas de branco, têm quintal e flores nas janelas.
As famílias, numerosas. E as crianças são criadas em liberdade, descalças e felizes na simplicidade de viver um dia de cada vez. Lá o tempo passa devagarinho e todo adulto sabe se vai chover, ou não.
Quando chove, caminha-se a pé pela estradinha meio deserta, rindo e sentindo o cheiro do capim molhado, inconfundível referência de natureza em seu estado puro. Imagina-se o sabor do café quente bem doce, dos biscoitos e da broa feitos em fogão a lenha que serão servidos (por algum anjo?) na chegada.
Em Aiuruoca, as noites são suficientemente frias para aconchegos um tantinho inconfessáveis de corações e mentes. São noites que têm o gosto do que cada um seja capaz de sentir.
E deve ter, também, um lugarzinho onde se pode ouvir alguém ao violão. Serestas. Infinitas, como o espaço que ninguém se arrisca a calcular só olhando aqueles mundinhos brilhantes lá em cima, no escuro.
Se Aiuruoca não é desse jeitinho, então, "viajei".
Ah! Duendes e fadas são bem vindos nessa viagem..."



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