Na PAZ!

"A vida é breve e perder tempo é pecado"- Albert Camus

"Não é preciso consenso
nem arte,
nem beleza ou idade;
a vida é sempre dentro
e agora.
(A vida é minha
para ser ousada.)
A vida pode florescer
numa existência inteira.
Mas tem de ser buscada, tem de ser
conquistada".

Lya Luft

sexta-feira, abril 29, 2011

Aiuruoca não é Nova Iorque






"Aiuruoca.

Onde fica?

Não tinha ouvido falar, até então. Esse nome sugere que tenha origens indígenas. Imagino que seja um lugarzinho tranquilo. Terra batida. As pessoas todas se conhecem e dão "bons dias" bem cedinho, assim, com um sorriso meio tímido, mas desejoso de que o dia seja, realmente, bom. Não olham direto nos nossos olhos, não por que sejam falsos os seus pensamentos, ou por medo, mas por timidez e respeito à nossa condição de alienígenas. Os homens tiram o chapéu para fazer o cumprimento. As casas talvez sejam pintadas de branco, têm quintal e flores nas janelas.

As famílias, numerosas. E as crianças são criadas em liberdade, descalças e felizes na simplicidade de viver um dia de cada vez. Lá o tempo passa devagarinho e todo adulto sabe se vai chover, ou não.
Há trilhas no mato que levam a um riacho mansinho que se atravessa a pé. Ou, há caminhos que, segundo o folclore local, conduzem a cachoeiras mágicas onde se pode tomar banho em águas de tal poder energético que dão arrepios no corpo e na alma.

Quando chove, caminha-se a pé pela estradinha meio deserta, rindo e sentindo o cheiro do capim molhado, inconfundível referência de natureza em seu estado puro. Imagina-se o sabor do café quente bem doce, dos biscoitos e da broa feitos em fogão a lenha que serão servidos (por algum anjo?) na chegada.

Em Aiuruoca, as noites são suficientemente frias para aconchegos um tantinho inconfessáveis de corações e mentes. São noites que têm o gosto do que cada um seja capaz de sentir.

E deve ter, também, um lugarzinho onde se pode ouvir alguém ao violão. Serestas. Infinitas, como o espaço que ninguém se arrisca a calcular só olhando aqueles mundinhos brilhantes lá em cima, no escuro.

Se Aiuruoca não é desse jeitinho, então, "viajei".

Ah! Duendes e fadas são bem vindos nessa viagem..."

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