quinta-feira, março 21, 2013
Seminário Internacional de Educação
sábado, dezembro 01, 2012
"Natal é tempo de pensar com o coração, de deixar que ele fale mais alto". (Hália P. Souza)
domingo, janeiro 29, 2012
Assim você me mata
A moça da loja de cosméticos, a propósito de um seresteiro que percorre a galeria, vai me contando que aos sábados tinha serenata. Na cidade. Pequena, do interior. Miraí. Era um costume, ela diz. Ficava olhando pelas frestas da janela, não podia sair, o pai proibia. Não podia se mostrar. E o pai? Fingia que não se importava com a cantoria, dormia. Sabia que as filhas não iam sair, nem chegar à janela. Mas ouvir, podia... Podia, e ela e a irmã ficavam ouvindo e espiando pelas frestas. Quem cantava era de lá mesmo, rapazes seus conhecidos, então não tinha problema. Eram pelo menos três serenatas só para as duas. Todas as moças ganhavam? Algumas, sim; no dia seguinte era um ti ti ti, elas contando umas às outras das serenatas, como foi, quem fez. Quero saber o que a moça tinha que fazer para ganhar serenata. Ser bonita, simpática, ou o quê? Ela abre um sorriso: ah... nada. A gente conhecia os rapazes, eles gostavam de cantar, tinha a tradição da cidade, era o bastante. Podia bem ser um paquera, não podia era se declarar. Rindo, ela recorda: tinha um rapaz muito bonito, uma voz tão linda... sempre cantava na nossa janela. Sou curiosa: então, eles cantavam todo sábado, assim, do nada? Era costume na cidade pequena, ora. Mas as moças não chegavam à janela, não. É, a gente ficava deitada, ouvindo as serenatas, olhando pelas frestas. Sonhando. Pergunto em que época foi isso, ela responde com um grande sorriso que não deixa dúvida de que foram bons aqueles tempos: na década de setenta.sexta-feira, dezembro 30, 2011
sexta-feira, maio 13, 2011
Mosaicos
"Sonho de consumo de turistas do mundo inteiro, Copacabana viu desfilar por suas famosas calçadas de pedras portuguesas as figuras mais exóticas.À sua maneira, tentava nos manter longe do perigo. Só não dizia qual. Quem sabe, pretendesse nos poupar dos tropeços por que passara desde sua chegada, nos anos vinte, ao bairro onde perambulou pelas areias até conseguir trabalho como ajudante de obra.
No seu entendimento, quem ia à praia em dia de semana era um "zinho" ou "zinha" qualquer, irresponsável, vagabundo. Linguagem cifrada, até quando mostrava, com seu modo de ser, que ajudar a quem precisa não depende de estado de humor, situação financeira ou religião. Aliás, ele era ateu. Foi assim que aprendemos a ser solidários e a entender as contradições da natureza humana.
_Copacabana...?
No final da década de sessenta teve a faixa de areia ampliada, ganhou coqueiros e quiosques, prédios e hotéis de luxo, linhas de metrô, variadas opções de lazer, grade em tudo que é canto. As calçadas em pedras portuguesas e os tradicionais mosaicos em forma de ondas do mar penam até hoje para não desaparecer de vez.
Os grandes cinemas-ai, ai, beijos no escurinho, drops de anis, onde o mocinho bonitão vencia sempre, Elvis lânguido atacava de "love me tender" e uns doidos cabeludos berravam "help!"- foram demolidos, ou desmembrados em salas menores. Ou se transformaram em casas de oração. Tudo bem, damas ou vagabundos, todos merecemos a remissão de eventuais pecadilhos, mas custava preservar a memória de um bairro que é cartão postal?
Posso imaginar o senhor meu pai, 95 anos, caminhando pela Avenida Atlântica, atônito com tantas novidades, mão no queixo, uma parada aqui, outra ali, ajeitando os óculos... Espanto aumentando ao ver o movimento das pessoas na praia madrugada adentro graças à magnífica iluminação. Vai contando fatos pitorescos...
Por fim, juntando as lembranças do que viu e viveu nas areias, ruas e becos de Copacabana, abre um sorrisinho maroto.
Copacabana só..."
Fotos: Suely em dois tempos-em 1954 e em 2011. Uau!
sexta-feira, abril 29, 2011
Aiuruoca não é Nova Iorque
sexta-feira, julho 09, 2010
São dois pra lá, dois pra cá


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